A ilusão deontológica
Getúlio
não perdeu tempo. Lula e o PT perderam 13 preciosos anos iludidos com o
discurso ideológico da deontologia liberal do Jornalismo e das Comunicações
Marcos Dantas*
Nenhum órgão de imprensa mostrou-se minimamente
escandalizado diante do fato, em si absurdo, de um juiz de 1ª instância ter
gravado conversas da Presidência da República e, ainda por cima, ter vazado o
áudio dessas gravações para os meios de comunicação. Sem quase nenhuma
diferença nas formas de expressão, empenharam-se em destacar o que haveria de
supostamente escandaloso no conteúdo das conversas entre a presidente e o
ex-presidente Lula da Silva. No máximo, deixaram para as vozes críticas
previsíveis, nos meios políticos ou jurídicos, as reações negativas ao
comportamento do juiz, em matérias publicadas nos espaços secundários de suas
páginas, no caso da imprensa escrita, ou muito escassamente divulgadas, no caso
do noticiário televisivo.
O ato do juiz Sergio Moro, cujo comportamento já
começa a assumir os ares destemperados do juiz nazista Roland Freisler
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Freisler), passou-se assim como se fosse
algo tão natural quanto o morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Essa
naturalidade é naturalmente absorvida pelo senso comum da sociedade que, no
geral, excluídos os seus estratos mais intelectualizados ou aqueles já
propensos à desconfiança e à crítica, não costuma a questionar o que lhe chega
dos meios de comunicação. Ao contrário: a realidade que lhe é mostrada, na
forma como lhe é mostrada, esta é a realidade a ser vivida no seu cotidiano
banal.
Senso comum é a noção de mundo usual dos indivíduos
com base na qual, como um pano de fundo, lhes demarca as suas atividades profissionais
e lúdicas no mundo real em que vivem: o mundo assim como ele é e, sendo assim
como ele é, proporciona as condições, ruins para muitos, razoáveis ou mesmo
ótimas para alguns, de ajuste e vivência no nosso dia a dia. Dada essa
percepção ordinária de mundo, o importante para cada indivíduo será garantir
aquilo que "necessita" para "levar a vida", tanto em termos
materiais quanto psicológicos, nas condições efetivas em que se vive. No mais,
o mundo é esse mesmo…
A função dos meios de comunicação é a de reproduzir
e reforçar o senso comum (com perdão para esta inicial abordagem
funcionalista). Jornais e revistas de maior tiragem, programas de televisão de
maior audiência alcançam o sucesso que alcançam porque estão em consonância
cognitiva ou subjetiva com o senso comum geral da sociedade, não o agridem, não
o questionam. Ao contrário, tranquilizam. Aqueles outros meios que põem em
questão o senso comum, que convidam seu leitor ao questionamento, à inquietude,
logo, a partir daí, a tomar atitudes, esses terão sempre audiência
relativamente mais restrita, embora possam também ganhar público naqueles
segmentos socioculturais propensos à visão crítica.
Numa sociedade capitalista, os meios necessitam de
audiência (ou tiragem), audiência essa que vendem aos anunciantes, destes
extraindo faturamento e lucro. A audiência é, por assim dizer, a “mercadoria”
dos meios. Assim como algum indivíduo compra pão ou camisa, ou se locomove de
ônibus ou de carro, pelo valor de uso desses bens e serviços no seu cotidiano;
do mesmo modo, o indivíduo lê jornal ou vê televisão pelo valor de uso dos
conteúdos que neles encontra. A empresa mediática tem por objetivo supri-lhe
essa utilidade, já entendido que tanto quanto o pão com mortadela lhe fornece
calorias para enfrentar o dia a dia, o jornal ou a televisão lhe satisfarão o
senso comum, também necessário para enfrentar o dia a dia.
Embora possa parecer contra intuitivo, a produção
de audiência não será muito diferente da produção de camisas, automóveis,
cervejas ou muitas outras mercadorias. Roupas, por exemplo, antes de serem
fabricadas e costuradas, precisam ser desenhadas por estilistas e outros
profissionais do ramo. Esses profissionais buscam atender ao que consideram ser
os "gostos" ou "desejos" do segmento de mercado que
pretendem atingir. Muito provavelmente, terão êxito na medida em que bem
conheçam esses "gostos" e "desejos". Mesmo que pesquisas
técnicas ajudem a identificar esses "gostos" e "desejos",
quase certamente a identidade desses profissionais com o tipo de gosto do
público que pretendem atingir será essencial para desenhar roupas que possam
"cair no gosto" desse público. Deve ser muito difícil para um artista
da moda desenhar alguma roupa que esse mesmo artista seja o primeiro a não gostar,
rejeitar ou desprezar. É verdade que os "gostos" variam por sexo,
idade, faixas de renda, níveis educacionais, formação familiar, regiões de
moradia, culturas e subculturas etc. Do mesmo modo, haverão muitos perfis e
experiências profissionais de estilistas e outros artistas da moda para atender
a tal diversidade de público, entendida esta como "nichos de
mercado".
A produção de audiência é feita por profissionais
da Comunicação: jornalistas, publicitários, animadores de auditório,
roteiristas de novelas, artistas de TV, cinegrafistas, radialistas etc. Do
mesmo modo que os estilistas, eles também precisam estar em sintonia com seus
públicos para serem sintonizados por eles (com licença para o trocadilho…).
Considerando a divisão social do trabalho, são profissionais da produção de
senso comum, assim como médicos são profissionais de saúde; engenheiros, de
obras; motoboys, de entregas rápidas. Trocam trabalho por trabalho, conforme
explica qualquer manual de Economia Política.
Assim como, ao longo de suas vidas, médicos,
engenheiros, advogados ou professores realizam carreiras profissionais nas
condições próprias de cada campo de trabalho, o produtor de audiência também
tem uma carreira a construir. Assim como naqueles outros campos, o sucesso de
carreira deste produtor, jornalista incluído, será medido, ao fim de 20 ou 30
anos, pelo grau de reconhecimento social alcançado; por um certo poder, maior
ou menor, de tomar ou influenciar decisões; pela liderança entre os pares e
sobre os mais jovens; não esquecendo o patrimônio material amealhado e a
perspectiva de uma velhice segura e tranqüila. Evidentemente, esse
"capital simbólico", como definiu Pierre Bourdieu, não será
igualmente distribuído, tendendo, como qualquer outro capital, à concentração
num pequeno conjunto de pessoas, dentro do campo profissional. A maioria, ao
final de 20 ou 30 anos, vai se sentir satisfeita (ainda que, eventualmente, um
tanto frustrada) se, ao menos, logrou viver quase todo esse período sem grandes
sobressaltos materiais, constituiu uma boa família, educou filhos que já lhe
dão netos, comprou um pequeno apartamento, conseguiu uma aposentadoria
minimamente decente. O senso comum.
Em qualquer campo profissional – e no de
Comunicação e Jornalismo não será diferente – os profissionais estabelecem
individualmente suas estratégias de acúmulo de "capital simbólico",
conforme suas ambições materiais e possibilidades subjetivas. Para chegar no
topo é necessário ambição e, convenhamos, nem todos têm a ambição necessária.
Mas todos, pelo menos, querem conquistar aquele mínimo material, cultural e
subjetivo. Numa sociedade capitalista, a distribuição de "capital
simbólico" entre os produtores (médicos, engenheiros ou jornalistas) será
resultado da contribuição de cada um(a) para o acúmulo de capital monetário e
financeiro das empresas onde trabalham ou do sistema como um todo (conta e
investimentos bancários por exemplo, limite de gasto no cartão de crédito
etc.). Ora, se o lucro das empresas de comunicação está relacionado à audiência
produzida, o produtor ou trabalhador dos meios de comunicação buscará, ao
máximo, atender ao "gosto" de seu público, para tal, assim como
estilista de moda, não podendo ser "desajustado" relativamente a esse
"gosto".
Para as empresas de comunicação, a audiência
interessa enquanto consumidora. Se não, que valor teria a publicidade que os
meios divulgam? Os consumidores podem se distribuir conforme estratos de renda,
perfis culturais ou subculturais, estilos de vida, mas precisam, antes de mais
nada, estarem inseridos nos valores comuns, subjetivamente incorporados e
naturalizados, da sociedade de consumo (ou "sociedade do espetáculo",
diria Guy Debord). Estratos sociais que não consomem além do mínimo básico por
falta de renda ou por idiossincrasias culturais não interessam aos meios. Não
servem de "matéria-prima" para a produção de audiência. Os meios, em
suma, se dirigem para os diferentes estratos de classe média, e recrutam nesses
estratos, com seus valores e ambições, os seus jornalistas, publicitários, artistas
e demais trabalhadores especialistas em produção de audiência.
É por isto, menos devido a um eventual medo de
perder o emprego, muito mais porque compartilham dos mesmos valores médios do
seu público, que os profissionais da Comunicação – sejam jornalistas, publicitários,
locutores de rádio ou TV, atores de novela, animadores de auditório e todas as
suas equipes de produção e apoio – servem tão bem às empresas que os emprega.
Produzem e comunicam, com total convicção, exatamente o que o capital quer que
produzam e comuniquem. São funcionários do capital, extensão das mentes de seus
empregadores ou contratantes. Se não, não lograriam produzir, com tanta
competência, a "mercadoria" que precisam produzir para acumular
"capital simbólico" e, daí, conquistar as condições de vida e
carreira que pretendem conquistar, e o padrão relativamente confortável de vida
e consumo que ambicionam e ao qual se habituaram.
Em qualquer ambiente profissional existem regras não escritas (e não ensinadas
na escola) que estabelecerão os padrões de inserção e sucesso de cada indivíduo
em seu ambiente. Aprende-se essas regras desde muito jovem, assim que se logra
vencer o primeiro obstáculo (e teste) ao sucesso na carreira: a entrada no
mercado de trabalho, hoje em dia, quase sempre, na condição de
"estagiário". Boa parte do sucesso nos anos seguintes e de conquista
de "capital simbólico", daí, promoções, tarefas cada vez mais
gratificantes e compensadores, "bons" relacionamentos sociais,
dependem da percepção, compreensão, ajuste e até reprodução dessas regras.
Pierre Bourdieu chama de "habitus". Nas Comunicações e,
particularmente, no jornalismo, não será diferente. E, para chegar no topo ou,
pelo menos, alcançar uma posição, digamos, "confortável",
recomenda-se observar e se mirar em quem já chegou lá. Os "novos",
assim, reproduzem os "velhos". E começam a perceber que estão no
"caminho certo" quando começam a ser reconhecidos ou elogiados pelos
"velhos", destes também recebendo suas primeiras responsabilidades
maiores. Para cada geração que envelhece, surgirá uma nova, reproduzindo seus
"habitus", ainda que, obviamente, inovando-os nos aspectos que cada
novo tempo possa exigir.
Os "habitus" naturalizam as relações de
poder e a competição por "capital simbólico". Senso comum. O que deveria
ser visto como aberrante – as escutas do Moro, por exemplo – não serão mais que
um fato da realidade, se a produção de audiência busca enfatizar e reproduzir
uma certa visão preconceituosa ou discriminatória sobre posturas ou
comportamentos, dado um padrão social, que o preconceito, justo porque é
preconceito, já estabeleceu previamente ser próprio de algum outro (e
indesejável) padrão. É o senso comum do jornalista em consonância com o senso
comum do público para o qual se dirige.
No entanto, todo campo profissional – Engenharia,
Advocacia, também Jornalismo ou Publicidade – gosta de exibir explícita e
formalmente um código de conduta ou de ética que orientaria os princípios
básicos da carreira. Talvez o mais famoso seja o "Juramento de Hipócrates",
dos médicos. Esses códigos se baseiam em uns tantos princípios metafísicos que
as escolas formadores (de Engenharia, Direito ou Jornalismo) descrevem sob o
rótulo de "deontologia". No Jornalismo, seu código remonta aos
primórdios da imprensa escrita (séculos XVIII e XIX), quando essa atividade era
essencialmente liberal. Ser jornalista era desenvolver uma atividade quase
individual de formar ou consolidar opiniões, muito mais do que divulgar
"notícias", com base no debate político em curso na esfera pública.
Produzir um jornal era relativamente barato. Não raro, o jornalista era um
polemista e seu jornal, pouco mais do que um panfleto. Nessas condições,
firmaram-se os princípios da liberdade de expressão do pensamento e do
jornalista como agente da formação de opinião, num ambiente caracterizado pela
disputa ou competição entre opiniões divergentes, numa sociedade radicalmente
dividida em classes e grupos de classes.
A superação desse jornalismo liberal iluminista
pelo jornalismo empresarial, no final do século XIX, agregará ao código,
princípios positivistas de conduta a orientar a atividade jornalística. Já não
deve ser o indivíduo opinativo, mas narrador "objetivo" e
"neutro" dos "fatos". No entanto, por isso mesmo, todos os
pressupostos conscientes ou inconscientes – sobretudo os inconscientes – da
definição de "fatos" estão excluídos das considerações de
"objetividade" e "neutralidade". A sociedade é essa, aliás
européia, branca, burguesa, colonialista. Não haverá porque pôr a definição em
questão já que para o jornalista e para o seu leitor, os fatos são os fatos.
Senso comum.
Assim se definem os fundamentos daquilo que as
escolas de Comunicações ou de Jornalismo denominam "agendamento" ou
"agenda setting": o conjunto de notícias que "merecem" ser entendidas
como "notícias" e a forma de tratá-las, inclusive a distribuição nas
páginas, tamanho do corpo do título etc. Regras não escritas mas por todos(as)
entendidas e aceitas pois essenciais para o acúmulo de "capital
simbólico", definem com a naturalidade do Pão de Açúcar, o que será ou não
"notícia". Tudo bem "objetivo" e "neutro". A
"notícia" será justamente aquilo que, considerando o segmento de
público, ou "nicho de mercado", fermentará a produção de audiência. A
"notícia" assim tem que ser aquela que se insere no senso comum da
sociedade de consumo, não se põe em dissonância com uma sociedade cujo próprio
consumo alimenta o faturamento, via publicidade e marketing, e os lucros do
capital mediático. Logo, o grampo de Moro será uma "notícia" menos
importante, talvez de interesse de certos setores "críticos" (também
consumidores), do que o seu inédito conteúdo, revelando na intimidade uma
conversa de presidente com ex-presidente que confirmaria o "juízo" já
estabelecido "na sociedade" pelos leitores e espectadores – a
audiência. E se jornalistas "famosos" assim definiram, os demais, que
esperam um dia serem "famosos" ou já se sentem recompensados pelo
convívio e diálogo diário com esses "famosos", sem falar da exibição
diária na tela da TV, também pensarão igual. Nenhum escândalo.
No entanto, bem sabemos, a sociedade é o território
da luta de classes e outras lutas. Como é ela que, ao fim e ao cabo, legitima
os ganhos e perdas de "capital simbólico" em qualquer campo
profissional, as disputas por esse capital vão expressar também as disputas
maiores que ocorrem na própria sociedade pela repartição da riqueza e
distribuição de poder. Nas Comunicações e, em particular, no Jornalismo não são
poucos os indivíduos que vão optar por estratégias críticas e posicionamentos
"subversivos". Dependendo das condições de cada subcampo das
Comunicações, alguns desses indivíduos podem até fazer das atitudes
"subversivas" um meio também de acumular vasto "capital
simbólico" e consequente capital patrimonial e financeiro. Nas atividades
artísticas e esportivas encontraremos muitos exemplos de perfeita inserção no
processo de trabalho e produção de audiência associada a discursos críticos,
até revoltados. É parte do show. No Jornalismo e, mais ainda, na Publicidade
(nesta, por óbvio), é bem mais difícil. Cada vez mais inserido, como segmento
complementar, no processo geral de produção mediática do consumo, o Jornalismo
atem-se ao "agendamento" que complementa o senso comum da sociedade
do consumo, ou os valores "práticos" da classe média, inclusive de
seus estratos trabalhadores de menor renda. Aqui, as posturas críticas não
podem ser aceitas. E os profissionais que nelas insistem, acabam literalmente
expulsos dos bons empregos e demais recompensas oferecidos pelas grandes
empresas, refugiando-se em assessorias políticas ou, graças agora à internet,
em blogs panfletários que parecem reproduzir, neste início do século XXI, o
jornalismo liberal discursivo da esfera pública iluminista. Alguns poucos que
já tinham alcançado antes sucesso e prestígio no jornalismo empresarial, ainda
conseguem carregar e manter nos meios críticos, alguma condição de sustentação
das suas expectativas de vida. Mas seja opinativo e panfletário, seja mais
noticioso e profissional, esse nascente segmento da imprensa, até agora, não
mostrou força para chegar a se contrapor ao "agendamento". Ao
contrário, permanece acorrentado a ele; apenas reage a ele, embora nisso
atendendo à demanda de seu particular "nicho" de leitores críticos, sequiosos
por alguma oferta alternativa à narrativa de senso comum.
Gramsci já ensinara que a hegemonia é o senso comum
da sociedade, embora definido a partir das classes dominantes. Pode acontecer
que o próprio movimento da sociedade ponha o senso comum em questão. Sem nenhuma
dúvida, a melhoria das condições materiais de vida de boa parte da população
mais pobre, sobretudo durante o Governo Lula, introduziu neste amplo setor da
população um elemento prático novo que tem-se mostrado até agora resiliente à
agenda e narrativa hegemônicas, como atestam as pesquisas eleitorais que seguem
mostrando Lula como candidato quase imbatível em 2018. A experiência
recente de vida fez nascer "algo" na cabeça do "povão" que
não parece em completa consonância com o que lhe dizem os jornalistas. Abriu-se
a possibilidade de a produção de audiência que, naturalmente, é agendada pelo
"núcleo duro" da sociedade de consumo (as classes médias altas e
média), vir a ser questionada por algum projeto alternativo, capaz de falar ao
senso comum do "povão", um tanto enriquecido pelas suas novas
experiências práticas. Mas a Esquerda, infelizmente, nunca foi capaz de
desenvolver um projeto assim. Exceção (que confirma a regra), o jornal Última
Hora, bancado por Getulio Vargas, liderado pelo jornalista Samuel Wainer. Fez o
sucesso que fez porque associava as expectativas médias de leitura de boa parte
da população (esporte, polícia, espetáculos, tudo tratado como assim espera o
senso comum), à alteragenda de suas páginas políticas, nisto contando com muito
dinheiro para contratar os melhores profissionais da praça, subtraídos, por
Wainer, justamente das "grandes redações" (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia/ultima-Hora-de-como-Vargas-enfrentou-o-monopolio-dos-meios/12/32158).
Não impediu o desenlace da história, mas pode ter muito contribuído para a
violência final que caracterizou esse desenlace, ao moldar uma audiência
contra-hegemônica consoante com a crescente mobilização e organização do
movimento popular àquela época. Diante da violência do golpe militar, outros
métodos e outra organização também teriam sido necessários...
Getúlio não perdeu tempo. Lula e o PT perderam 13
preciosos anos iludidos com o discurso ideológico da deontologia liberal do
Jornalismo e das Comunicações. Aliás, a palavra "deontologia" foi
criada por Jeremy Benthan. Precisa dizer mais?...
*Professor
Titular da Escola de Comunicação da UFRJ